sábado, 2 de novembro de 2013

O meu medo é ter medo

Tenho tentado, diariamente, me fazer as seguintes perguntas: Estou feliz? O que eu poderia fazer para ficar ainda mais feliz? E a porcaria da pergunta que mais me assusta: o que estou deixando de fazer (por medo) que me deixaria mais feliz? O medo é aterrorizante. Porque, se temos medo de fazer algo, é porque se trata de alguma coisa arriscada, ou sobre a qual não temos total controle. As pessoas geralmente dizem que têm medo da morte, ou da doença, ou da perda. Não vou me fazer de durona e afirmar que essas coisas não me atingem. Sim, fico aterrorizada com tudo isso. Mas o meu maior medo é o próprio medo. O meu maior temor é chegar ao final da vida pensando: por que não larguei tudo para ser escritora? Por que não aprendi a tocar piano? Por que não me casei em Vegas? Ou descobrir que tenho alguma doença que me impeça de fazer aquela viagem maravilhosa para Galápagos que eu sempre posterguei. Ou perceber que poderia ter visitado minha avó querida mais vezes apenas quando perdê-la. Isso sim é desgraça. Meu maior desejo – maior mesmo – é saber que, por mais que coisas ruins possam acontecer na minha vida, todas as boas foram aproveitadas ao máximo. Tudo que quero, quando for uma velha caquética, é sentir que eu soube priorizar: que eu soube dar valor ao que merecia a minha atenção; que eu fiz e agi de acordo com a minha consciência, e não de acordo com a opinião alheia; que eu soube demonstrar para as pessoas exatamente o que eu sentia, ao invés do que eu deveria sentir; que eu criei o meu próprio caminho, e não apenas segui o dos outros; que eu, acima de tudo, nunca me traí.

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