sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Coisas que me irritam: o marketing do medo
Tem uma coisa me irritando muito nos últimos tempos, especialmente nos noticiários: a quantidade de conteúdo violento ao nosso redor. Não estou dizendo que não devemos falar sobre a violência cotidiana, mas acho que nosso foco deveriam ser as causas desse problema contemporâneo. Uma delas (e uma das principais, a meu ver) é a construção de estereótipos. E essa história não é nova. A massificação e coisificação de “Inimigos do Estado” são usadas há séculos (talvez possamos até falar em milênios) para legitimar a atuação desumana e ditatorial dos nossos líderes. O pior que a desculpa continua sendo a mesma: temos que destruir os marginalizados subumanos para protegermos os cidadãos honestos e corretos.
Já estamos tão acostumados com esse discurso que nem nos perguntamos a questão mais básica: por que esses sujeitos foram marginalizados em primeiro lugar? Não estou aqui pretendendo infantilizar pessoas agressivas e violentas ou dizer que não são responsáveis por seus atos, mas temos que admitir ao menos parte da culpa. Afinal de contas, é a sociedade quem cria os guetos, seja por conta das diferenças sociais, raciais, religiosas ou políticas. Até nas escolas estamos criando futuros (ou presentes, como pudemos ver dezenas de vezes nos últimos dez anos) sociopatas.
Quando vamos parar de simplesmente assistir às notícias violentas dizendo “Que absurdo, o mundo está ficando louco” e começar de fato a discutir o que as causa? Quando vamos parar de exigir dos políticos prisão para menores de idade e começar a sugerir projetos que de fato façam alguma diferença? Quando vamos parar de tratar pessoas como coisas e quebrar o paradigma do Direito Penal do Inimigo? As manifestações ao redor do mundo certamente são um início. Mas ainda temos um longo caminho pela frente, considerando que, nesse tema, evoluímos muito pouco em um lapso temporal bem longo.
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