sábado, 19 de outubro de 2013

North and South: um romance adorável com uma lição de história

Vale a leitura mesmo para aqueles que não são apreciadores de romances ingleses do final do século XVIII e século XIX. Apesar de ter nascido enquanto Jane Austen ainda era viva, e ter sido amiga de ninguém menos que Charlotte Brontë, Elizabeth Gaskell apresenta um estilo próprio (mesmo que influenciada pelas duas). A inglesa escreve romances que possuem um contexto histórico e social presentes em algumas das obras de sua querida Brontë e em alguns dos títulos de Charles Dickens (quem, por sinal, também foi amigo e editou muitos trabalhos de Gaskell). No caso de North and South, o pano de fundo é a fase de industrialização no norte da Inglaterra, que mudou a face de muitas cidades do país. A obra descreve especificamente a indústria do algodão, no momento em que patrões tentavam se manter no negócio em meio a graves gerais. Apesar de ter quase cento e sessenta anos, é uma obra com alguns elementos bem atuais. A primeira dela é a mais óbvia: as greves gerais, em que os trabalhadores buscam por melhores condições de vida e maior igualdade. Muitos dos diálogos e discursos lembram bastante aqueles usados durante as manifestações e revoluções espalhadas pelo mundo (inclusive aqui) atualmente. Os dois personagens principais, Margaret Hale e John Thornton, também apresentam características interessantes. Ele, dono de uma fábrica de algodão, é um “novo rico”, frio e arrogante. Apesar de sua infância pobre, ele demonstra grande antipatia pela classe operária (da qual fez parte por grande parte de sua vida), até que Margaret abre seus olhos. Ela, por sua vez, teve uma eduação utópica, dividida entre a sofisticação da aristocracia inglesa e a vida de filha de religioso no campo. Mas é uma moça questionadora e até impulsiva. Não se preocupa em dizer o que pensa e agir da forma que acha adequada, independentemente da opinião alheia. Aqui há certa semelhança com o casal Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, de Orgulho e Preconceito. Só que a realidade em que Margaret e Thornton estão inseridos é muito distinta. Este livro é uma aula de história e uma bela reflexão sobre perspectivas.

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